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UMA DISPUTA RELIGIOSA: a busca de Bolsonaro e Lula por votos entre a população católica

Por Agencia de Notícias ODIA1 24/07/2021 às 12:31:44

Apesar do crescente aumento da população evangélica, com uma queda acentuada entre os adeptos do catolicismo, o Brasil ainda é formado por maioria católica: cerca de 64,6% da população, segundo dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número tende a reduzir um pouco mais em levantamentos atualizados, mas a influência da antiga religião oficial do país continua a se fazer presente.

Pensando nisso, a busca pelo voto católico continua a ser um dos objetivos dos postulantes à Presidência da República, assim como ocorre com a disputa pelo voto dos evangélicos, que serão maioria da população somente a partir de 2030.

Pensando nisso, a polarização entre Bolsonaro e Lula, já acirra o debate em busca do apoio do campo mais tradicional do eleitor: o da religião. Para isso, ambos utilizando-se de diferentes mensagens para sensibilizar o público religioso: enquanto o primeiro enfatiza a discussão de valores e da moral, o segundo destaca sua ligação com movimentos de base e programas sociais do seu governo.

Datafolha

A pesquisa do Instituto Datafolha, de 11 e 12 de maio de 2021, aponta que Lula teria 61% dos votos católicos, 45% dos evangélicos e 51% dos espíritas, enquanto Bolsonaro teria 27% dos votos católicos, 45% dos evangélicos e 24% dos espíritas. Os números, se estiverem certos, demonstram uma vantagem para o petista, mas há outros fatores que devem ser levados em consideração.

A busca pelo voto católico

De um lado, o presidente enfatiza o discurso conservador, de valores baseados em conceitos de família, liberdade, e contra temas como aborto e a chamada "ideologia de gênero". Do outro, Lula reforça sua ligação com movimentos sociais e apela para o discurso dos programas sociais implementados em governos petistas. Ambos, com apoios de sacerdotes católicos, além de parlamentares ligados à Igreja.

Para o cientista político e sociólogo Luiz Gonzaja Júnior, a participação de católicos na política é diferente daquela ocorrida entre a maioria dos evangélicos, com utilização de símbolos da religião no meio político – com algumas exceções. Ele lembrou que, sendo ainda a maior religião do país, suas características se refletem naturalmente na trajetória dos candidatos e dos eleitores.

Segundo ele, enquanto Lula se aproxima do uma fatia do eleitorado católico pelas ideias de esquerda e formação sindical, com a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) busca apoio da fatia mais conservadora da Igreja, com base no debate de valores e costumes.

“De forma geral, as pessoas que professam a religião católica, elas não costumam se afirmar enquanto religiosas para poder angariar votos. O que a gente tem assistido, é que existe uma pequena parcela que se engaja e até utiliza os símbolos católicos, e que estão mais próximos com a Renovação Carismática Católica, na política. À exceção [desse grupo], os católicos participam da vida política sem necessariamente utilizar-se do discurso religioso”, disse.

Para o seminarista da Arquidiocese da Paraíba e representante da Igreja no Fórum de Diversidade Religiosa do Estado, Euclides Franklin, nenhum dos lados da polarização política no país contemplam a mensagem católica. Ele critica a forma "superficial" como o debate tem sido feito no país.

“Em nenhum dos lados a gente vê a mensagem (cristã), a gente percebe algumas luzes muito distantes, uma luz muito distante, de algumas ações muitas vezes associadas ao interesse ou ao ego, e não ao bem comum. Então, é um caminho meio complicado, pois em si, a política no Brasil não tem muito a perspectiva desses valores, tanto numa questão jurídica, quanto nas ações politizadas de ambos”, explicou.

Ainda de acordo com Franklin, que também é teólogo e graduado em Ciências das Religiões, “a postura da Igreja é uma postura de Centro”, em que os fiéis não devem se envolver na política, mas enquanto seres políticos, utilizam-se da política para promoverem o bem comum, através de ideias que, segundo ele, representem a mensagem do Evangelho.

“Os que tiverem uma proposta que vá de encontro com os ideias, com nosso tipo de política, esse sim será contemplado oficialmente pela igreja. Não falamos por nós mesmos, e quem fala está equivocado, querendo tomar os ideais para si e não para nossa tradição. Dentro de nossa perspectiva, pensamos e construímos a decisão enquanto Igreja, não a partir da escolha de um partido ou de uma pessoa, mas dentro de uma proposta que mais traz a comunhão com os valores de Jesus Cristo”, observou Franklin.

OUÇA:

Nesse mesmo diapasão, o cientista político Gonzaga Júnior avalia que, para a maioria católica e para uma parcela de evangélicos, “é mais importante que o candidato ou candidata disponha de qualidades administrativas para corresponder às verdadeiras necessidades da sociedade do que necessariamente um discurso que já é compreendido como populista ou falacioso”, concluiu.

Fonte: https://www.polemicaparaiba.com.br/

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