Banner1

Vídeo de deputado removido no YouTube continua circulando em diversos perfis

Reprodução/TV GloboMesmo tendo sido derrubado do canal de Daniel Silveira no YouTube, o vídeo em que o deputado federal faz apologia do AI-5, instrumento de...

Por Agencia de Notícias ODIA1 em 18/02/2021 às 11:14:19


Reprodução/TV Globo

Mesmo tendo sido derrubado do canal de Daniel Silveira no YouTube, o vídeo em que o deputado federal faz apologia do AI-5, instrumento de repressão mais duro da ditadura militar, e ataca ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) seguia no ar em outros canais na plataforma e em outras redes sociais na noite desta quarta (17).

O YouTube removeu o vídeo que estava na página de Silveira no começo da tarde desta quarta, alegando que ele violava "a política do YouTube sobre assédio e bullying". O post, feito um dia antes, tinha cerca de 200 mil visualizações.

A medida aconteceu horas depois de o parlamentar do PSL-RJ ser preso em flagrante, por determinação do presidente do STF, Alexandre de Moraes.

Posteriormente, o G1 informou à plataforma que ao menos quatro canais seguiam reproduzindo o vídeo de Silveira na plataforma - os posts foram tirados do ar na noite desta quarta, mas outros continuavam replicando o vídeo.

YouTube removeu vídeo do canal do deputado Daniel Silveira nesta quarta-feira (17).

Reprodução

"Acho que excluir de um só canal é seguramente uma medida inócua, porque outros canais seguiriam distribuindo o conteúdo", diz Pablo Ortellado, professor de políticas públicas da Universidade de São Paulo (USP). Ele destaca que o YouTube tem "muita facilidade" para excluir o vídeo de toda a sua plataforma, se assim decidir.

Segundo a empresa, se um conteúdo foi removido por violar suas políticas, qualquer "upload" ou postagem em outro canal do mesmo conteúdo também poderá ser tirado do ar. A plataforma considera como exceções o que é de conteúdo jornalístico ou documental.

Ao mandar prender Silveira em flagrante, na última terça (16), o presidente do STF, Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio do vídeo, citando um link que levava a um outro perfil do YouTube que reproduziu esse conteúdo, chamado Política Play.

Este vídeo aparecia como “privado” nesta quarta, indicando que o dono dele limitou quem pode ver o conteúdo. O canal foi deletado pelo proprietário na tarde desta quarta.

O vídeo de Silveira foi originado numa live no Facebook do parlamentar, na última segunda (15), e permanecia no perfil do deputado na rede social nesta quarta, com cerca de 180 mil visualizações e 14 mil compartilhamentos. Outras contas também replicavam o conteúdo.

Procurado pelo G1, o Facebook não informou se tomará alguma medida em relação ao vídeo ou se ele fere suas regras.

Sem regra específica

As plataformas não possuem regras específicas sobre discursos inconstitucionais ou antidemocráticos em suas políticas de uso. O vídeo de Silveira, por exemplo, foi enquadrado pelo YouTube como violação das regras contra assédio e bullying.

Segundo Ortellado, o YouTube já exerce controle sobre conteúdos que incitam a pedofilia e o terrorismo, por exemplo, por meio de algoritmo e de um time de pessoas que realiza essa busca diária para derrubar vídeos com esse tipo de temática.

Mas o caso é diferente para conteúdos que não são abordados diretamente nas políticas de uso de cada rede ou que dependam de uma análise de contexto, como os discursos antidemocráticos.

Para o professor da USP, as regras e diretrizes das redes sociais são vagas. Assim, elas permitem que a empresa direcione sua abordagem caso a caso. Ou seja, fica sob a responsabilidade das plataformas estabelecer qual conteúdo é bom e qual é ruim.

Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio), observa que as redes sociais têm adotado estratégias diferentes para combater discursos de ódio: da manutenção do mesmo, com alertas, até a remoção de conteúdos “sem maiores explicações”.

Mas o que faltou nos últimos anos foi agir de forma mais transparente e informativa, diz ele.

“A moderação de conteúdo, do jeito que está hoje, é um processo que vive nas sombras. Não se sabe como é feito, por quem é efeito, qual o seu resultado [com a exceção de relatórios de transparência publicados por algumas empresas], se ele é automatizado ou não”, acrescenta o diretor do ITS Rio.

Um outro problema apontado por Souza é a dificuldade de se identificar quais conteúdos violam as regras. Isso tem sido feito pelos próprios usuários, através de denúncias, ou por uso de mecanismos de inteligência artificial que, segundo o especialista, “estão aquém da calibragem desejada”.

“Mesmo que as plataformas digitais não tenham políticas específicas sobre conteúdos inconstitucionais, elas também estão sob a Constituição e devem obedecer suas regras”, diz Sydney Sanches, da Comissão de Direito Digital do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

"(As redes) Elas precisam manter requisitos que respeitem os compromissos da sociedade com o estado democrático de direito. Essa obrigação é constitucional, os princípios constitucionais valem para todos, não só para os indivíduos, mas também para as empresas", afirma o advogado.

Sanches também defende que a penalização imposta ao autor do vídeo penalizado pelas plataformas seja estendida a quem se apropria desse conteúdo “para alimentar ainda mais o discurso de ódio ou inconstitucional”.

VÍDEO: saiba quem é o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ)

Conteúdo que viraliza

"Vídeos e posts com conteúdo extremista possuem grande adesão e repercussão na internet, não só no Brasil”, lembra Yasmin Curzi de Mendonça, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio).

“Como muitos acadêmicos vêm investigando, esse tipo de estratégia para angariar seguidores é bastante utilizada pela extrema direita porque relacionam suas pautas com teorias de conspiração que já fazem parte do senso comum conservador em alguma medida”, completa.

Vídeos de YouTube com defesa de pautas inconstitucionais também são muito populares nos grupos de política do WhatsApp, apontou o G1 com base no trabalho da Diretoria de Análise de Política Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Dapp), que monitorou 409 desses grupos no ano passado.

Pablo Ortellado, da USP, diz que conteúdos que atacavam o STF e tinham pautas inconstitucionais eram muito frequentes na internet brasileira até 2020, mas notou que a circulação diminuiu depois da onda de protestos antidemocráticos, que ocorreram em abril de 2020, e a consequente abertura de inquérito e prisões de alguns dos envolvidos.

Silveira é alvo desse inquérito e também da investigação sobre fake news.

De acordo com o Ortellado, apesar de não estar no topo das mensagens que circulam, ainda há muito conteúdo sobre o tema.

"Todos os vídeos que recorrem ao tema de assuntos extremos, das divisões de setores e classes, são muito viralizados. O acesso é muito expressivo”, concorda Sydney Sanches, do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

A moderação de conteúdo pode ter impacto na redução da circulação de notícias falsas quando feita em contas de pessoas públicas, com milhares de seguidores, avalia Artur Pericles Lima Monteiro, advogado e coordenador de liberdade de expressão no centro de pesquisa InternetLab.

Ele menciona que uma pesquisa da Zignal Labs, publicada pelo jornal “Washington Post” em 16 de janeiro, mostrou que houve uma queda de 73% das notícias falsas sobre fraude eleitoral nos Estados Unidos uma semana após a suspensão da conta do ex-presidente Donald Trump.

De uma semana para a outra, as menções sobre "fraude eleitoral" caíram de 2,5 milhões para 688 mil em diversos sites de mídia social. "Isso indica que (a moderação em) plataformas grandes, como as do Trump, maiores do que as do Daniel Silveira, pode ter impacto sim, ainda que o discurso continue circulando", diz Monteiro.

VÍDEOS: prisão de Daniel Silveira

Fonte: G1

Comunicar erro
Banner2

Comentários

Banner 3